quarta-feira, julho 11, 2018

Prisão de Carne


Sou  passado tórrido, sou presente frio
Sou bambu velho e rijo
Eu me parti.

Sou preso e angustiado,
o bendito cordão de prata
que não consegui partir.

Sou e não sou,

Sou meu próprio fantasma
Sou minha assombração
Trombeta, trombeta,
por que a demora?


sábado, junho 09, 2018

Não tente.

A quem interessar, 
se um dia o evento acontecer, 
do pó ao pó, 
no esquecimento a paz.

permanecei na ignorância a maior das bênçãos
em tudo que tiver seja grato, sem nunca abandonar a razão da tristeza
em cada céu um pensamento, em cada pensamento uma dor.

afligi com exatidão a dor do prazer, lembrai dos votos a sí
seja fiel a ti, não se perderá de outros jamais
sempre perderá outros, sempre haverão outros, nada mais restará.

contemplai a estrela da madrugada, observa o sol nascente
relembra os mimos da infância com inocência as examine
para onde vão os amores, para onde vão os homens quando a fé se esvai.

grato seja pelos lirios do campo, e as aves do céu
alegria nunca seja problema, nem amor, mas felicidade e amar
amar e ser feliz, a corda e o banco.

perdoe amigos pois inimigos não te traem, ame se der, se puder, se não quiser ame em dobro.
desfaça os nós, guarde o banco, enrole no depósito a velha amiga.
Hoje NÃO!
perdão peça, perdão peça, mas amor nunca.


terça-feira, abril 24, 2018

Rosa


Rosa, rosa da pétala caída, rosa.
Dos cabos arguidos,
decepados espinhos, rosa.
Do cheiro neutro,
da morte iminente, rosa,

Sabor de ferro, cheiro de terra,
rosa.
Da flor que te dei te chamei,
ROSA!

Rosa, dos cortes em meus braços, rosa.
Das manchas no assento do carro,
do meu sabor em sua boca, rosa!
Rosa, da tua toalha, do teu batom, rosa.

Perdi meu curativo,
perdi meus vasos,
perdi o aroma,
da flor que te dei te chamei, rosa!

Suga-me rosa,
Bebe-me rosa,
Até me te saciar!
Tenho sede e frio, na flor que te dei te chamei, rosa!



sábado, abril 21, 2018

CARCAJU


CARCAJU


Sentado a noite, cachimbo na mão, fumo de chocolate, chocolate alpino, guarda.
Um assobio, vento nas persianas de metal, morcegos e gatos, ratos, guarda.
Uma festa após outra, uma bênção e um beijo... arroz

Você viu a lua essa noite? E os bichos que caçavam em sua luz?estava forte! Como a luz dos olhos nossos agora tão opacos...

voltando-se para o abismo..

Que nos engole de volta.
Voltados para o abismo, antes de piscarmos de volta.

Fazer mais uma ronda, espantar fantasmas que esperam meu sono,
 minhas costas nuas,
tentam roubar e engolir sonhos, eu já os comi a todos,
eu não vou dormir!
Você viu a lua hoje? Estava clara como a sua pele no contraste com seus cabelos.
Estava La no alto, como no pedestal que te coloquei. Vai descer também, assim como você!

Então eu fiz uma ronda dentro do salão escuro, encarei o buraco enorme e disse: Hoje não! Peguei a roda de fogo com a mãos nuas e mandei a velha sombra se foder!
Junto com os beijos que guardei pra você,
e um pote de veneno eu bebi, o seu orgulho e sua dor,
 talvez para sempre,
eu cai ,
mas você já caiu, com a lua,
 que estava La hoje,
 e não estará amanhã,
talvez você perceba o céu escuro caindo sobre você.

Você viu a lua hoje? 
É a ultima vez que brilha!
Estava linda como sempre! 
E não estará mais  lá!
caindo em você.