segunda-feira, julho 16, 2018

um nome qualquer


Deixou a porta aberta,
E agora, todos os demônios saíram para dançar
Na falta da lua o brilho dos meus olhos basta
Na falta de canção eu soluço
E de vinho, meu sangue encheu cada taça
E de tanto grito, minha boca não canta mais
De tanto choro, não vejo beleza alguma
De um amor amargo, que não tenho em nada mais, um único sabor de vida.
Qual a descrição cancioneiro? De descrever o que se sente
Qual a sensação a minha, que não possuo uma sequer
Tomai de minha carne o tom vermelho
Tomai de minha mente a alma seca
Tomai, bebei, saciai-vos
Pois o que está morto deseja morrer.
na falta de cordas, escrevo.

 

quarta-feira, julho 11, 2018

Prisão de Carne


Sou  passado tórrido, sou presente frio
Sou bambu velho e rijo
Eu me parti.

Sou preso e angustiado,
o bendito cordão de prata
que não consegui partir.

Sou e não sou,

Sou meu próprio fantasma
Sou minha assombração
Trombeta, trombeta,
por que a demora?


sábado, junho 09, 2018

Não tente.

A quem interessar, 
se um dia o evento acontecer, 
do pó ao pó, 
no esquecimento a paz.

permanecei na ignorância a maior das bênçãos
em tudo que tiver seja grato, sem nunca abandonar a razão da tristeza
em cada céu um pensamento, em cada pensamento uma dor.

afligi com exatidão a dor do prazer, lembrai dos votos a sí
seja fiel a ti, não se perderá de outros jamais
sempre perderá outros, sempre haverão outros, nada mais restará.

contemplai a estrela da madrugada, observa o sol nascente
relembra os mimos da infância com inocência as examine
para onde vão os amores, para onde vão os homens quando a fé se esvai.

grato seja pelos lirios do campo, e as aves do céu
alegria nunca seja problema, nem amor, mas felicidade e amar
amar e ser feliz, a corda e o banco.

perdoe amigos pois inimigos não te traem, ame se der, se puder, se não quiser ame em dobro.
desfaça os nós, guarde o banco, enrole no depósito a velha amiga.
Hoje NÃO!
perdão peça, perdão peça, mas amor nunca.


terça-feira, abril 24, 2018

Rosa


Rosa, rosa da pétala caída, rosa.
Dos cabos arguidos,
decepados espinhos, rosa.
Do cheiro neutro,
da morte iminente, rosa,

Sabor de ferro, cheiro de terra,
rosa.
Da flor que te dei te chamei,
ROSA!

Rosa, dos cortes em meus braços, rosa.
Das manchas no assento do carro,
do meu sabor em sua boca, rosa!
Rosa, da tua toalha, do teu batom, rosa.

Perdi meu curativo,
perdi meus vasos,
perdi o aroma,
da flor que te dei te chamei, rosa!

Suga-me rosa,
Bebe-me rosa,
Até me te saciar!
Tenho sede e frio, na flor que te dei te chamei, rosa!