quarta-feira, agosto 15, 2018

Abismo sorridente

Quando sentir o peso dos cílios
Quando a porta do baú se abrir
E as panturrilhas tensas tremendo te socarem os joelhos na terra
E a sua testa se encher de sílica
E a água do mar vazar pela sua alma
E o calor invadir as maçãs do seu rosto, nariz e olhos
E te faltar as forças pra  produzir uma nota sequer
E cair parado no mesmo lugar já no chão
Respira garoto.
Você desabou.

segunda-feira, julho 16, 2018

um nome qualquer


Deixou a porta aberta,
E agora, todos os demônios saíram para dançar
Na falta da lua o brilho dos meus olhos basta
Na falta de canção eu soluço
E de vinho, meu sangue encheu cada taça
E de tanto grito, minha boca não canta mais
De tanto choro, não vejo beleza alguma
De um amor amargo, que não tenho em nada mais, um único sabor de vida.
Qual a descrição cancioneiro? De descrever o que se sente
Qual a sensação a minha, que não possuo uma sequer
Tomai de minha carne o tom vermelho
Tomai de minha mente a alma seca
Tomai, bebei, saciai-vos
Pois o que está morto deseja morrer.
na falta de cordas, escrevo.

 

quarta-feira, julho 11, 2018

Prisão de Carne


Sou  passado tórrido, sou presente frio
Sou bambu velho e rijo
Eu me parti.

Sou preso e angustiado,
o bendito cordão de prata
que não consegui partir.

Sou e não sou,

Sou meu próprio fantasma
Sou minha assombração
Trombeta, trombeta,
por que a demora?


sábado, junho 09, 2018

Não tente.

A quem interessar, 
se um dia o evento acontecer, 
do pó ao pó, 
no esquecimento a paz.

permanecei na ignorância a maior das bênçãos
em tudo que tiver seja grato, sem nunca abandonar a razão da tristeza
em cada céu um pensamento, em cada pensamento uma dor.

afligi com exatidão a dor do prazer, lembrai dos votos a sí
seja fiel a ti, não se perderá de outros jamais
sempre perderá outros, sempre haverão outros, nada mais restará.

contemplai a estrela da madrugada, observa o sol nascente
relembra os mimos da infância com inocência as examine
para onde vão os amores, para onde vão os homens quando a fé se esvai.

grato seja pelos lirios do campo, e as aves do céu
alegria nunca seja problema, nem amor, mas felicidade e amar
amar e ser feliz, a corda e o banco.

perdoe amigos pois inimigos não te traem, ame se der, se puder, se não quiser ame em dobro.
desfaça os nós, guarde o banco, enrole no depósito a velha amiga.
Hoje NÃO!
perdão peça, perdão peça, mas amor nunca.