quinta-feira, março 21, 2019

Outono.


É outono outra vez
 Nessa terra fria que pisamos é outono,
o vento cálido dá lugar aos dias lentos,
é outono outra vez.

 Estrelas não saíram do lugar, o céu limpo e escuro,
a  lua se foi com grande brilho,
é outono outra vez.

 As copas das árvores cantam,
os insetos dão sossego, o sono vêm com pouco convite,
pois é outono outra vez.

 O assobio das brisas, o quarto gelado,  
seus pés precisam ser cobertos por cima e baixo,
meus olhos estão quentes, eu estou com frio,
é outono outra vez.

no fundo




No porão de sua casa há,
 poeira com nome dado, forma certa, perfume conhecido.
No porão de sua casa,
 há caixas de papelão, memórias emboloradas.
No porão de sua casa,
 há meias velhas, cachecóis, há um paletó.
No porão de sua casa,
 havia muito espaço.


O porão que foi bagunçado,
o porão que foi fechado,
o porão que está lotado,
com um avião de papel.

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

papelaria dos desesperados

Há no céu menos asas,
 que em minha gaveta.
O mar não abriga barcos tão imponentes,
quanto meu junto as meias.
Nem voarão os sonhos,
 onde as naves que possuo habitam.
Eu possuo um cemitério de origamis,
Eu me dobro e voo,
 livre como um avião de papel,
mas os chão está sempre molhado...
eu não posso pousar.

colecionador de estrelas


Me apeguei as estrelas,
me apeguei ao brilho dos astros.
Me apeguei aos fantasmas mais belos do espaço.
Pois que beleza maior há,
que aquilo que jaz na escuridão, ainda possa iluminar.
Não há, entretanto, lamento maior,
que a necessidade do escuro pra enxergar.
Na falta de telescópios melhores improviso.
Uma lágrima ou outra pra amplificar, água e sal,
a lupa dos astronautas perdidos.
 



segunda-feira, fevereiro 18, 2019

lobos escuros



Longe de si mesmo
Fora de controle 
Eu me encontro com ele
O reflexo pálido de um animal ferido
Bem no meu espelho.