terça-feira, outubro 30, 2018

malaguena


O silencio da noite
Um copo ou dois pra acompanhar
Um violeiro mexicano no aparelho
Um amor antigo no peito
Uma lagrima seca na camiseta

tiro ao


Querida eu tenho tentado nadar ate a superfície
Mas meus braços estão cansados demais
Então eu tento boiar
Mas meu peito está pesado demais

Eu vi o abismo,
eu flertei
eu ajudei,
 eu estive La e voltei
Eu
Me sinto leve com todas essas pedras
Eu me sinto pesado com tantas correntes
Eu poderia correr
Poderia voar
Poderia me esconder
Todo soco que dou atravessa meu queixo

Eu tentei rasgar os mantos mas são grossos
Eu tentei quebrar cadeados mas são pesados

Eu poderia me esconder
Poderia fechar os olhos
Poderia fingir

Toda liberdade pela qual lutei darei a você.

E quando poeira virar carne
estarei La de novo
E quando lagrimas forem dentes  
estarei La de novo
E quando estivermos juntos estarei La de novo




Coração de papel

         Me diga quantas dobras tem seu coração
De que árvore saiu cada veia,
Sem sangue só seiva
Que vento que direção
Te faria voltar

Maldito planador
voar tão longe
Com quanto tempo farei
Outro origami

Que caia a chuva não irei molhar
Que pegue a fogo o mundo
        não deixarei queimar
Ninguém mais vai rasgar
Meu peito de papel
...de novo

quinta-feira, outubro 25, 2018

Eau de Parfum, as flores de kenzo

Eau de Parfum, as flores de kenzo


De cada cidade um bairro
De cada bairro um parque
No parque avenidas
Na avenida o canteiro
De cada região um tempo
No tempo certo a flora que aflora
Na estação que se vem
Outro galho outra flor
De toda sorte de bicho
De toda cidade num bairro
Naquele canteiro havia uma árvore
Na árvore um ninho
De todo ninho um pássaro
De todo par de asas que bate
E as andorinhas levaram
O verão da cidade.
E nunca mais será, o que foi e tão belo,
E nunca houve mais calor e nunca nunca e nunca.
E toda a esquina chora, 
as placas com mesmo nome
Os rostos com o mesmo olho
Os cheiros inebriantes
Os jardins são todos iguais
As pétalas dentro do vidro
Saudades e saudades,
pétalas que caem, das rosas de Kenzo

domingo, setembro 23, 2018

DOMINICAL

O domingo, o dia com gosto de pão de queijo
Geleia velha de que fruta? Ninguém sabia ou lembrava.
O domingo tinha cheiro de campo aberto e poeira da estrada, tinha gosto de café,
tinha mancha de molho nas camisas,
a TV tinha duas cores, preto e branco,
 mazzaropi era rei dos domingos.

A retina única que me refletia,
Os cães com cheiro de carniça da estrada, os cães mais fedidos e alegres
O cheiro logo sumia, a alegria multiplicava,
A poltrona do amigo emprestada todo final de almoço
O domingo tinha cheiro de abraço.

Agora eu ouço mazzaropi cantando
A TV cheia de cores  não toca caboclo
O perfume caro não tem paixão
E cada gota de sangue que carreguei no peito morreu,
Renasceu como água do mar, de uma retina que perdi, duas inundam sem secar.
O domingo sumiu do meu calendário.