domingo, setembro 23, 2018

DOMINICAL

O domingo, o dia com gosto de pão de queijo
Geleia velha de que fruta? Ninguém sabia ou lembrava.
O domingo tinha cheiro de campo aberto e poeira da estrada, tinha gosto de café,
tinha mancha de molho nas camisas,
a TV tinha duas cores, preto e branco,
 mazzaropi era rei dos domingos.

A retina única que me refletia,
Os cães com cheiro de carniça da estrada, os cães mais fedidos e alegres
O cheiro logo sumia, a alegria multiplicava,
A poltrona do amigo emprestada todo final de almoço
O domingo tinha cheiro de abraço.

Agora eu ouço mazzaropi cantando
A TV cheia de cores  não toca caboclo
O perfume caro não tem paixão
E cada gota de sangue que carreguei no peito morreu,
Renasceu como água do mar, de uma retina que perdi, duas inundam sem secar.
O domingo sumiu do meu calendário.


quarta-feira, agosto 15, 2018

Abismo sorridente

Quando sentir o peso dos cílios
Quando a porta do baú se abrir
E as panturrilhas tensas tremendo te socarem os joelhos na terra
E a sua testa se encher de sílica
E a água do mar vazar pela sua alma
E o calor invadir as maçãs do seu rosto, nariz e olhos
E te faltar as forças pra  produzir uma nota sequer
E cair parado no mesmo lugar já no chão
Respira garoto.
Você desabou.

segunda-feira, julho 16, 2018

um nome qualquer


Deixou a porta aberta,
E agora, todos os demônios saíram para dançar
Na falta da lua o brilho dos meus olhos basta
Na falta de canção eu soluço
E de vinho, meu sangue encheu cada taça
E de tanto grito, minha boca não canta mais
De tanto choro, não vejo beleza alguma
De um amor amargo, que não tenho em nada mais, um único sabor de vida.
Qual a descrição cancioneiro? De descrever o que se sente
Qual a sensação a minha, que não possuo uma sequer
Tomai de minha carne o tom vermelho
Tomai de minha mente a alma seca
Tomai, bebei, saciai-vos
Pois o que está morto deseja morrer.
na falta de cordas, escrevo.

 

quarta-feira, julho 11, 2018

Prisão de Carne


Sou  passado tórrido, sou presente frio
Sou bambu velho e rijo
Eu me parti.

Sou preso e angustiado,
o bendito cordão de prata
que não consegui partir.

Sou e não sou,

Sou meu próprio fantasma
Sou minha assombração
Trombeta, trombeta,
por que a demora?