sábado, fevereiro 10, 2018

sola



Socos e chutes estão diante de mim,
Árduo e dolorido, minha luta sempre será.
Eu corri disso tempo demais, só e atormentado,
Tão carregado, mas ao mesmo tempo só.

Eu não sou forte como queria, eu sou humano querida.
Eu não sou a rocha que poderia ser, sou pura carne.

Beijos e abraços falsos, eu evitei alguns,
E eu estarei de pé, de um jeito ou de outro.
Eu andei tanto, meus pés suam vermelhos,
E eu só sinto que eu poderia ir um pouco mais.

Eu não sou forte como você esperava, eu sou mais querida.
Eu não sou a rocha que você queria criança, sou mais duro!
Eu não sou metade sem você amor, sou o dobro de dois,
Eu não sou um grão de areia, sou o Saara.

Eu não estou em, suas mãos, sou um tronco inteiro querida.
Eu não estou em suas mãos, sou inteiro querida.
Eu não estarei protegido contra tempestade, eu sou o céu
E o céu trovoará!

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

reverse

tristeza e ansiedade juntas, são como pular de paraquedas ao contrário.

peito de boxeador



Meus pulsos abertos, não contam das lágrimas caídas, pernas rígidas, joelhos moídos, bitucas dentes sujos.
O final vermelho do dia, as calçadas, os cães, os transeuntes, comércios e os atletas de final de dia, não sabem o porquê da roupa suja.
Meus tantos irmãos não ligaram, pro relógio ignorado, pro grito abafado, pro olhar amargurado, pra solidão.
Esqueça, esqueça e tente dormir.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Fornada de trouxas

Ah! Rapaz de pão, com sua massa cinzenta.
Rapaz pão! Do seu jeito sovado, assim ao solavanco amaciado.
Mente aberta
Amassada
Moldada
Surrada
Ah! Cabeça de pão, corte pro diabo sair.
Se faz casca dura é integral
O rude que se faz mais saudável.
Ah! Pele de pão, por dentro teu miolo sem sabor.
Rapaz! Pera aí!
Que este forno é de má qualidade
Pra te assar, dourar, fazer crescer.
Opa! Tudo tem seu ponto certo.
Te digo menino pão,
Que do melhor ingrediente a ti foi gasto.
Melhores gemas, melhor liga.
Melhor farinha, incorpora rapaz! Apruma-te!
Ô muleque bisnaga,
Com esses pés pequenos que chegou aqui?
Rapaz de entrega dos pães?!
Cresce guri! Incha na forma e dela sai,
Que te comprarão num melhor preço que o pão de ontem
Ah cabeça de pão! Alimenta esse ego adormecido

Alimenta essa alma seca, desconstrói tua casca que baguette bem sei que não é.

domingo, janeiro 14, 2018

Condominio dos mendigos



Desculpe a bagunça, mas a ultima inquilina deixou tudo aqui
Foi mal pela poeira, o imóvel ta vago já faz tempo, embora tanto anuncio ninguém quer espantar os fantasmas daqui.
Perdoe-me os moveis antigos, é que demora pra eu, conseguir mover tudo aqui, é pesado demais, guarda almas pesado demais.
Eu juro que anuncio, se espaço tivesse, eu colocaria a assombração, que junta está. Mas se for alugar, me ajuda, a tirar os quadros antigos, tantos retratos, e roupas antigas, pra jogar.
 Fique aqui, te faço um café, ainda sei agradar, a moradora que foi, deixou o pó de café embaixo do armário e os filtros jogados, mas sei arrumar.
Mas se puder esperar, poderei arrumar um cômodo ou dois, pra você, dormir aqui.
O imóvel está vazio pra alugar, eu sou dono de tudo, mas durmo na rua.